Chegamos finalmente aos dias do “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley e seu protagonista convenientemente chamado Marx, se não me falha a memoria.

O livro descreve a sociedade do futuro, socialista e igualitária, antirreligiosa e ultramoderna, e conservadora e racista. A música que cantava “o futuro já não é como era antigamente!” é quase a trilha sonora de uma das mais impressionantes obras literárias do século passado, classificada post-mortem de ficção cientifica social. O segredo aqui é o “soma”, uma substancia distribuída pelo governo a todos desde o nascimento, que controla os sentimentos e leva a conformação e felicidade, em um embrionário estado-espelho dos Nazistas ou Stalinistas, ou a realidade atual Norte-Americana em seu gênesis.

Na distopia de Huxley a sociedade não carecia de representação política, ou mesmo de grupos sociais organizados. Ninguém votaria e ninguém questionaria o status quo pois, piamente acreditava que aquilo seria o melhor para si. Um absoluto controle da comunicação, censurando o que não interessa e distribuindo as informações que interessa através de veículos próprios e inquestionáveis. Huxley criou a pré-história da fake News.

Nós vivemos a sociedade e os dias deste romancista, com o “que” perverso da inexistência do “soma”. Somos dominados através de ferramentas como telejornais, aplicativos de noticias, redes sociais e a propagação da dúvida. Nós, hominídeos que podem votar e que podem exigir, e que podem espernear quando algo errado é feito em seu nome por representantes eleitos, esquecemos tudo isso… Mas afinal, quem são nossos representantes eleitos? Vamos discutir nossa seara por um minuto apenas. Você sabe quais os candidatos têm propostas solidas para Hotelaria & Turismo? Qual deputado estadual? Qual federal? Qual Senador? Pelo fim da linha, pelo maestro de políticas públicas, você sabe qual proposta de candidato a presidente olha para este setor? Eu vou responder junto com você: Nenhum. O Fernando “Lula” da Haddad cita o setor no seu programa, lá pela página quarenta e tantos. Vago, raso, ininteligível, dedica pouco mais de meia página circundando o óbvio. A Marina Silva insiste em ecoturismo e bases comunitárias para mudar o caminho do setor e produzir riquezas na ponta da sociedade como meio transformados. Ok… Seria um ótimo e belo trabalho de faculdade. Os outros citam (quando citam) vagamente a palavra “turismo”, meio que envergonhado em face do seu completo desconhecimento da atividade. O que me parece é que o setor de viagens e turismo levou uma facada e as autoridades estão insistindo na tese de somos fortes, bonitos por natureza e nada nos atinge. Ora… Não nos atinge porque somos economicamente pequenos demais para sermos atingidos.

Veja bem, O PIB do Brasil em 2017 foi de US$1,77 tri versus o americano de US$18,32 tri. Nós representamos 2,39% da economia mundial enquanto os gringos, 24,32% e isto se reflete obviamente, também no setor de viagens e turismo.

Enquanto países como Tailândia e Jamaica têm cerca de 9% do seu PIB alimentado pelo turismo, Portugal e México tem cerca de 7%. Já o Brasil tem pouco mais de 2,5% do seu pibinho oriundo da nossa atividade. Contando centavos, o turismo no Brasil adiciona US$56BI à economia e nos USA, US$488BI ao seu pibão. Dados do site howmuch, que não é muito de Fake News não.

Agora indo direto ao ponto, como diria a sexóloga Laura Muller. Quem nos representa? Quem exigiu dos candidatos um plano feroz para a atividade, que reage rápido, gera e distribui empregos indiretos as pampas? Quem ofereceu a organização de um programa setorial de governo no nosso setor, quem sabe em prol das incontáveis famílias desempregadas no nordeste e no Rio de Janeiro em função da crise? Quem propôs um plano de desenvolvimento e de infraestrutura que transforme nossas boas praias e razoáveis belezas naturais em atrações turísticas que povoem o imaginário mundial? Os últimos governos foram pródigos em financiar todo tipo de obra de grande e médio porte no Brasil, obras estas que agora estão sendo lavadas a jato. Entretanto os projetos dos nossos minguados resorts são, em muitas vezes, declinados por autoridades ambientais que não entendem a necessidade do emprego. Não entendem porque sua realidade já está garantida, assim como a de seus viúvos e viúvas.

Quem, “que mora em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza… que é flamengo, que tem uma nega chamada Tereza, e que é bonito por natureza”, e que grita por nós nas comissões de orçamento, de constituição e justiça do congresso, entre outras?

Não nego a beleza da poesia e a insistência no discurso dos atributos naturais do país, mas este tempo, por enquanto, já passou. Precisamos entrar na era do pragmatismo, da representação setorial e do resultado. Precisamos de representação política que se faça ouvir, entender e que, principalmente, que fale aos berros por nós porque estamos definhando.

*Julio Gavinho é executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis, criador da marca ZiiHotel, sócio e Diretor da MTD Hospitality

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