Único assaltante que se entrou após ataque a casa lotérica era foragido da Justiça

Um dos cinco envolvidos no assalto a uma casa lotérica, na Zona Leste de Manaus no último sábado (13), e único a se entregar já responde pelo crime de furto qualificado e estava considerado foragido. A informação é do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM). Claudemir Lima de Paula Rodrigues, de 30 anos, se entregou à polícia após três horas de negociação e vai responder, também, por roubo majorado.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Amazonas, o suspeito foi condenado, em 2017, a dois anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de furto qualificado. Em maio do mesmo ano ele deixou de se apresentar à Justiça e passou a ser considerado foragido. Diante da notificação de fuga, o Ministério Público pediu a regressão da pena para o regime fechado, motivo pelo qual foi expedido o mandado de prisão que se encontrava em aberto.

Além disso, segundo o TJ-AM, há outro processo em nome de Rodrigues pelo porte ilegal de arma de fogo.

Entenda o caso

O assalto a uma casa lotérica na avenida Autaz Mirim, no São José, zona leste de Manaus, foi interrompido após uma megaoperação das Polícias Militar e Civil coordenada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) na tarde deste sábado (13/10). Todos os cidadãos feitos reféns foram liberados com vida e sem ferimentos. Um assaltante se entregou e os outros quatro integrantes da quadrilha morreram em confronto com policiais.

O governador Amazonino Mendes elogiou a ação da polícia. “Graças a Deus todos os reféns foram salvos. Eu quero tirar o meu chapéu, e parabenizar meus policiais. Quero dar a eles incentivo, apoio. A população está precisando disso. Não porque mataram os bandidos. Mas porque agiram e salvaram os inocentes. Na verdade, a gente tem de tratar com rispidez, com dureza, os bandidos. Só assim, o Brasil se livra desse momento angustiante que a gente e o nosso Amazonas estamos vivendo”, afirmou.

A ocorrência teve início por volta das 13h e foi atendida inicialmente por policiais militares da 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) da Polícia Militar, que estava em patrulhamento na área. O grupo estava com duas espingardas calibre 12, um revólver calibre 38 e uma pistola. Quatro integrantes do grupo entraram no estabelecimento e, do lado de fora, dando cobertura, Valdemir Lima de Pala Rodrigues, 28, trocou tiros com os policiais e logo se entregou.

Segundo o secretário de Segurança, coronel Amadeu Soares, que acompanhou a ação e intermediou as negociações, os infratores demonstravam estar sob efeito de entorpecentes. A advogada e familiares de alguns deles estiveram no local. Durante as negociações, 12 reféns foram liberados. O secretário disse que os infratores pediram drogas e carros para deixarem o local.

“Nós agirmos com energia e rigor. Dentro da lei, é claro. Respeitando todos os parâmetros. A população será defendida à altura sempre. E a polícia será honrada sempre. Se Deus quiser”, disse Amadeu Soares durante coletiva de imprensa ao lado do comandante geral da Polícia Militar, coronel Cláudio Silva, do delegado geral adjunto da Polícia Civil, delegado Ivo Martins, do subcomandante da PM, coronel Ayrton Norte, do comandante do CPE, coronel Roberto Araújo, e do responsável pela Core, Juan Valério.

Após quase três horas confinados na loteria, os quatro infratores decidiram sair com os reféns e com malotes de dinheiro. Eles percorreram mais de um quilômetro, sendo monitorados pela polícia, inclusive com helicópteros.

“Eles tomaram a decisão de sair. Montaram escudo humano e ganharam a rua. A polícia foi criteriosa, não efetuou disparos. Eles atiraram na Polícia diversas vezes por conta da população que estava na rua. Foi verificado o momento mais seguro para o disparo, foi feito. Os reféns foram todos para o chão. Eles continuaram agredindo e os policiais responderam”, disse o secretário de Segurança.

Os envolvidos no assalto tinham passagem pela polícia. Valdemir Lima de Pala Rodrigues, 28, que se entregou, tinha um mandado de prisão em aberto. Dos assaltantes mortos já foram identificados: Victor Souza de Castro, 21, vulgo “Jamal”, Jefre Mariano Santana, 24, e Gustavo dos Santos Maciel Mesquita, 22.

Segundo levantamento da Polícia Civil, Victor, conhecido como “Jamal”, era o líder do bando. Ele tinha passagem por roubo majorado. Jefre tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, receptação e roubo majorado. Já Gustavo tinha passagem por roubo majorado.

As investigações seguirão. “Tudo vai ser investigado. Muito provavelmente eles tinham informações sobre o fluxo da lotérica. O que eles não contavam era que a polícia chegasse lá e frustrasse a ocorrência”, informou o secretário de Segurança.

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