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Veja o que o Garantido vai apresentar na segunda noite do 54° Festival de Parintins

Na Segundo noite de apresentação no 54° Festival Folclórico de Parintins, neste sábado (29), o Garantido traz o tema: “Nós, o povo da alegria!”.

Veja, pelo olhar dos artistas do vermelho e branco, o que o bumbá vai apresentar:

Se existe algo mágico na alma do nosso povo é a capacidade de enfrentar as dificuldades da vida pelo riso e pela imaginação. O brasileiro talvez tivesse o direito viver entristecido, mas escolheu a alegria como força motriz para enfrentar qualquer obstáculo. Festejamos muito e não apenas pelo prazer, pois as festas populares no Brasil são verdadeiros ensaios para alcançar uma sociedade onde todos são protagonistas.

Por todo o país, as manifestações da cultura popular são ao mesmo tempo espaços de celebração e termômetros das tensões socais. O carnaval, os maracatus, as quadrilhas, as congadas, as carvalhadas, as folias de reis e as diversas versões do auto do boi existentes no Brasil servem de palco para grupos social e economicamente marginalizados amplificarem suas vozes. Ao longo da história, as festas populares foram usadas na luta de resistência à perda de modos de ser, de viver, de crer e de fazer.

O folclore é o elemento de identidade mais genuíno, pois traduz ao vivo a alma de um povo. Com significado, identidade, cidadania, intensidade, criatividade e muita alegria, eles proporcionam espetáculos concebidos não apenas pelo senso estético, mas também nos costumes, no sentido de pertencimento e de dignidade do povo. São instrumentos de transformação social e uma vitrine para um país por muitos desconhecido.

Os folguedos juninos fazem uma crítica popular aparentemente despretensiosa e lúdica, mas é por meio deles que os grupos e comunidades sinalizam a necessidade da construção de uma sociedade mais justa. Na Amazônia não é diferente. Caboclos, negros e indígenas puderam se expressar e resistir contra a invisibilidade social, a perda de suas tradições, e afirmar suas identidades através das apresentações do Boi Garantido.

Mestre Lindolfo Monteverde aprendeu e ensinou a lutar por um mundo melhor cantando e sorrindo. Da Baixa do São José emerge uma comunidade, como diz Darcy Ribeiro sobre o povo brasileiro, com “uma inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade”. Pessoas que escolhem defender a alegria em detrimento do ódio e da violência. A verdade é que o Boi Garantido é feito de suor, de emoção, de cores, de alegria, ou seja, é povo.

Celebração Folclórica: Viva São João (Viva São João)

São João é a festa da alegria e da cultura popular, é a celebração da mistura das tradições europeias, indígenas e africanas, que deram origem aos folguedos brasileiros. Introduzida pelos jesuítas, se espalhou pelo país, assumindo características de cada região, mas preservando as tradições e o sentimento mais profundo da alegria popular.
Misto de religiosidade, saudosismo, lutas e celebração da vida simples do Brasil, a festa de São João surge do culto a Adônis, mito grego que o cristianismo associou ao nascimento de São João Batista.
O cristianismo associou a fogueira ao nascimento do santo. Sua mãe, Santa Isabel, teria acendido uma fogueira para anunciar o nascimento do filho. O Boi-bumbá Garantido também tem sua origem na fé a São João. Seu criador, Mestre Lindolfo Monte Verde, fez uma promessa ao santo e, por ter alcançado a graça, criou o seu boi em louvor a São João.

Lenda Amazônica: Flechas Serpentes

O povo karajá, habitantes das margens do Rio Araguaia, acredita na lenda das Flechas Serpentes, segundo a qual macacos gigantes atacavam e devoravam os índios pendurando seus ossos em uma árvore colossal. Maricá, jovem guerreiro da tribo, enfrenta os macacos, mas acaba ferido. Ele é curado por uma cobra, que dá a ele flechas mágicas para abater os macacos. Uma rã da floresta ensina Maricá que, para serem abatidos, os macacos devoradores de índios têm que ser atingidos no olho.

Em uma noite de lua cheia, um gigantesco macaco invade a aldeia e aprisiona a cunhã poranga, índia guerreira da tribo. O guerreiro Maricá, protegido por Kananciuê, herói mítico do povo karajá, defende sua tribo disparando flechas serpentes e atinge o olho do primata gigante. Derrotado, o grande animal desaba no terreiro da aldeia, a cunhã poranga é libertada e a paz volta a reinar na aldeia karajá.

Figura Típica Regional: Erveiras da Amazônia

Figuras recorrentes no cenário cotidiano regional, as Erveiras da Amazônia povoam mercados e feiras populares vendendo e transmitindo todo o conhecimento herdado das populações indígenas sobre as ervas medicinais, destinadas à cura das mais diferentes doenças. São as erveiras que mantém viva a tradição da cura pela medicina natural. Suas barracas coloridas e ornamentadas com todo tipo de erva da floresta, são encontradas, além dos grandes mercados, nos mais recônditos rincões da região.

As erveiras do Mercado Ver-o-Peso, em Belém do Pará, se tornaram conhecidas nacionalmente e representam toda a essência da expressão regional das erveiras da Amazônia. Vendendo suas ervas medicinais, as erveiras são mulheres alegres e espirituosas que chamam a atenção para “garrafadas” e “banhos de cheiro”, conhecidos como “cajila”, para atração entre homem e mulher.

Ritual Cawahiwa

Ritual de cura espiritual dos kawahiva-parintintin, habitantes do Rio Tapajós, contra a má sorte ou panema. O pajé afasta as energias negativas de seres sobrenaturais que habitam as matas lavando os olhos dos caçadores com veneno de cobra e açoitando-os com varas para reagirem sem medo aos perigos do mundo sobrenatural. Uma aranha armadeira liberta o Bicho das Trevas e revela máscaras que permitem ver os Tapuins, espíritos malignos
No ritual, o Pajé transcende ao mundo ancestral da Amazônia paleolítica dos grandes animais e feras devoradoras de gente, num ambiente de seres míticos fantásticos. Os caçadores são submetidos a perigosas provações, numa batalha espiritual na qual enfrentam criaturas híbridas, macacos carnívoros e a ibiriuna, serpente colossal. O pajé arranca os olhos do Bicho das Trevas e os caçadores retornam do transe curados e podem, sem medo, ver os espíritos malignos Tapuins na escuridão.

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