Para eleger mais pessoas cientes da importância de pautas como a criminalização da LGTBfobia, a plataforma #MeRepresenta apresenta aos eleitores e eleitoras 130 candidaturas que defendem essa causa

Quatro décadas se passaram desde a criação da Somos – uma das primeiras organizações para o combate à discriminação homossexual no Brasil -, mas permanece pequena a representatividade política de LGBTs em cargos do legislativo.

Para mudar essa realidade, a ONG #MeRepresenta vem dando visibilidade a pelo menos 130 candidaturas de pessoas trans, bissexuais, lésbicas e gays nestas eleições. A expectativa é que a presença de mais senadoras (es) e deputadas(os) federais e estaduais que vivenciam o preconceito no dia dia incentive a aprovação de leis para a proteção de direitos de LGBTs.

Nessa reta final das eleições, a plataforma espera que sua ferramenta de match eleitoral atinja o maior número de eleitoras e eleitores dispostos a encontrar candidaturas que compartilham dos mesmos valores em relação a temas ligados aos direitos humanos, entre eles: o combate à LGTBfobia, a permissão para que trans e travestis possam usar o banheiro que quiserem e uma educação com respeito à diversidade.

Além da pauta LGBT, o site http://www.merepresenta.org.br propõe outros oito temas sociais (Gênero; Raça; Povos Tradicionais & Meio Ambiente; Trabalho, Saúde e Educação; Migrantes; Drogas; Corrupção; Segurança & Direitos Humanos) para que os internautas escolham aqueles com que mais se identificam, além de filtrá-los pelo Estado e partido político. Feito isso, o site mostra uma lista de candidaturas compatíveis com aquelas opções.

Para a construção da plataforma, a organização enviou um questionário a todas as candidaturas registradas no TSE, solicitando sua opinião a respeito dos assuntos listados acima e também pedindo que apontassem 3 iniciativas prioritárias do seu mandato, no caso de vencerem a eleição.

A aprovação da lei para criminalizar a LGBTfobia, por exemplo, foi incluída no questionário do #MeRepresenta depois de 6 mil entrevistas feitas com internautas e participantes da Marcha das Mulheres Lésbicas e Parada do Orgulho LGBTI+, em São Paulo. Na ocasião, eles e elas opinaram sobre quais propostas deveriam entrar na agenda política a partir de 2019.

As pesquisas, assim como outras iniciativas para levar visibilidade à plataforma, receberam o apoio da marca de sorvetes Ben & Jerry’s, que, desde sua chegada ao Brasil em 2014, vem defendendo a bandeira LGBT, repetindo a postura ativista adotada em outros países em prol de um mundo mais igualitário. O blog da empresa no Brasil defende que a sociedade seja como o universo dos sorvetes: quanto mais sabores diferentes, melhor.

O Brasil é um dos países que mais mata LGBTs no mundo, com 1 vítima fatal a cada 19 horas. No entanto, as propostas para tornar crime o preconceito contra LGBTs – os PL 134/2018, PL 515/2017 e 7582/2014 – encontram-se nas gavetas do Congresso Nacional.

Até agora, quase 900 pretendentes aos cargos de senador(a), deputado(a) estadual e federal, de 34 partidos políticos em todos os Estados, enviaram suas opiniões ao #MeRepresenta, numa amostra bem mais representativa do que o legislativo atual. Dos candidatos/as que se cadastraram no site: 46% são negros e negras; 37% são mulheres; 18% são mulheres negras ; e 15% são LGBTs.

Suprapartidária, a plataforma #MeRepresenta surgiu nas eleições de 2016, pelas mãos de diferentes coletivos da sociedade civil e foi financiada pela Alianza Latinoamericana para la Tecnología Cívica. Nas eleições atuais, a ONG conta com apoio voluntário de pessoas físicas e jurídicas preocupadas com a representatividade política de toda a população brasileira. Dois anos atrás, a então candidata à vereadora Marielle Franco, negra, lésbica, defensora de pautas humanitárias e assassinada em março deste ano, estava entre as candidatas que mais apareciam nas buscas feitas pelos usuários da #MeRepresenta.

Para saber mais: www.merepresenta.org.br

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