Visita guiada ao Museu da Cidade de Manaus

Um momento histórico marcará as comemorações dos 349 anos da capital do Amazonas: a inauguração do Museu da Cidade de Manaus, uma obra que virou realidade a partir da determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto em deixar um legado permanente para que os manauaras conheçam e valorizem a cultura e a história da cidade. O Museu abrirá suas portas à visitação pública a partir do dia 24 de Outubro, de 9h às 17h, sempre de terça-feira a sábado.

Antes disso, a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), convida todos os veículos de imprensa para uma visita guiada, que será realizada nesta segunda-feira, 22/10, às 17h, pelo primeiro museu de identidade da capital amazonense, conduzida pelo curador Marcello Dantas, que estará disponível para entrevistas na ocasião.

Os jornalistas terão a oportunidade de vivenciar, em primeira mão, a experiência do Museu da Cidade de Manaus, um museu de sentidos, e registrar este momento único que marca não apenas o aniversário de Manaus, mas também o ineditismo dentro do contexto da Amazônia, fortalecendo a memória e o futuro de uma cultura que resiste e se reinventa ao longo do tempo.

A inauguração oficial está prevista para acontecer na terça-feira, 23, pelo próprio prefeito Arthur Neto, da primeira-dama e presidente do Fundo Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, e do diretor-presidente da Manauscult, Bernardo Monteiro de Paula.

O Museu da Cidade foi criado pelo Prefeito João de Mendonça Furtado, através da lei n° 1.616, de 17 de junho de 1982 na estrutura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, com localização no prédio s/n° na Rua da Instalação, porém, o Museu nunca funcionou nesta localidade, sequer foi inaugurado. Mais de 20 anos depois, em 2005, o projeto do Museu da Cidade foi retomado passando agora a ter como abrigo o Paço da Liberdade, antiga sede da Prefeitura de Manaus.

Inicialmente chamado de Museu Histórico da Cidade de Manaus – MUHMA, a ideia partiu da necessidade de abrigar de forma sistematizada, a memória da construção da cidade de Manaus, com ampliação da importância cívica desse primeiro palácio da cidade, construído há mais de 120 anos para abrigar o poder público municipal. Trata-se de um dos poucos prédios no Brasil construído especialmente para esta função.

O Museu da Cidade, portanto, será a “casa que conta a sua história”, a história da cidade, demonstrando às gerações atuais e vindouras os testemunhos materiais e imateriais que retratam a vida cotidiana, as identidades e as culturas das gerações atuais e as anteriores através de exposições de longa e curta duração, as quais devem possuir – e aqui gostaríamos de reiterar – um caráter educativo, lúdico, dinâmico, com salas interativas utilizando-se de recursos tecnológicos para contar a história da cidade de Manaus a partir de imagens, textos e sons.

O Museu funcionará no Paço da Liberdade, prédio histórico cuja fachada é considerada uma das últimas representações da arquitetura neoclássica no Brasil. Foi erguido durante a segunda metade do século XIX e ampliado em 1905, pelo então prefeito Constantino Nery. Após sua conclusão, transformou-se na sede do Palácio do Governo. Conhecido primeiramente como Paço Municipal e, posteriormente, Palácio dos Governantes, o prédio foi o centro da administração amazonense tanto da Província como do Estado.

Foi ocupado pela municipalidade em 17 de abril de 1971 e, durante um período de mais de duas décadas, foi sede governamental e residência dos presidentes da província. Foi também de onde os governadores da borracha comandaram as grandes reformas que transformaram a capital e alargaram as fronteiras físicas da Amazônia Ocidental.

Em 1956, o Paço Municipal passou a ser considerado parte integrante do Patrimônio Histórico do Município de Manaus pela Lei n° 565 de 26 de maio do mesmo ano. No ano seguinte, teve sua denominação alterada para “Paço da Liberdade”, e em 1980, de acordo com a resolução n° 001 homologada pelo decreto n° 4.817 de 06 de fevereiro do mesmo ano, passou a ficar sob proteção especial da Comissão Permanente de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas.

Por se tratar de um exemplar importante do contexto cultural de Manaus e ter sido um local de decisões desde a época imperial, o Paço da Liberdade foi objeto de estudo de sua cultura material, por iniciativa da antiga Fundação Municipal de Turismo (Manaustur), em janeiro de 2003.

O programa de restauração do Paço Municipal integrou o programa “Monumenta”, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, que teve como objetivo a preservação do patrimônio histórico urbano das cidades brasileiras. As obras de reforma foram iniciadas em dezembro de 2006, mas tiveram a parte do subsolo embargadas pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em fevereiro de 2007, pois, durante as escavações foram encontradas peças arqueológicas e a equipe responsável pela obra não dispunha de arqueólogo especializado para acompanhar a retirada do material. Em 2009, as obras do restauro foram interrompidas pela construtora responsável e foi preciso a Prefeitura de Manaus fazer nova licitação para a retomada das obras.

No período de 2003 e 2004, a Prefeitura de Manaus realizou intervenção na Praça Dom Pedro II, com identificação de 256 vestígios arqueológicos e salvamento de 4 urnas funerárias indígenas. Com esta intervenção, no acesso ao porão foram encontrados artefatos de cerâmica, evidenciando-se assim a necessidade de uma pesquisa arqueológica em todas as áreas abaixo dos salões durante a obra. Em 2007 foram iniciadas escavações no local, as quais revelaram a presença de cerâmica pré-colonial.

Em dezembro de 2012, o então Prefeito de Manaus, Amazonino Armando Mendes, realizou a primeira entrega da obra de restauro do Paço da Liberdade. A entrega definitiva da obra ocorreu no dia 11 de abril de 2013 na gestão do atual prefeito Arthur Neto. Desde então, o Paço da Liberdade tornou-se um importante espaço para as artes visuais de Manaus, abrigando exposições de curta e longa duração.